• Estava com Saudade de Ti – Eliana Ribeiro
  • Que Santidade de Vida – Mons. Jonas
  • Adeus Ano Velho Feliz Ano Novo
  • NOSSA MISSÃO / ADRIANA ARYDES
  • DAI-ME FORÇAS / Banda Chama

Como ver a Cruz

Postado por Pe Moacyr Ramos Nogueira em 31/jul/2017 - Sem Comentários

Podemos ver a cruz sob dois aspectos: sob o olhar humano e sob o olhar de Deus ou o olhar da fé.

A cruz sob o olhar humano

A palavra cruz já incorporou o significado pejorativo de dor, suplício, tragédia, dificuldades, etc. “A minha cruz está pesada” é uma frase que a gente ouve muitas vezes. Na verdade, a cruz, historicamente, foi o maior tormento usado pelo Império Romano para condenar à morte os bandidos, escravos e criminosos. Quando estamos diante do sofrimento intenso ou uma doença terminal, pensamos muitas vezes que Deus nos abandonou, que ele não se importa com nossas cruzes, que Deus não cuida de nós, que ele não nos escuta diante da dor e da miséria de seus filhos. Às vezes chamamos isto de silêncio de Deus. Ele vê nossa dor e parece não fazer nada para revertê-lo. Muitas vezes a cruz pesada leva as pessoas a dizerem: “Deus não existe. Se ele existisse, ele tomaria providências e o mundo seria muito melhor”.

A cruz sob o olhar de Deus

Sob o ponto de vista da fé, sob o olhar de Deus, a cruz é outra coisa totalmente diferente. Não a cruz por si mesma, mas a cruz de Cristo ou Cristo na cruz. Deus no seu infinito amor nos amou até o fim. A morte de Jesus na cruz é a explicação maior da misericórdia divina. Jesus-Deus (a segunda pessoa da Santíssima Trindade) por amor a nós se fez homem e assumiu toda a nossa culpa, todo o nosso pecado, gerador de todos os males. Sua condenação e morte na cruz foi obra da maldade humana. Jesus vendo que o único modo de resgatar a todos nós do pecado, de todos os males da vida, inclusive da própria morte, era passar pela morte de cruz, mesmo assim não desistiu do projeto amoroso do Pai e aceitou a cruz, transformando o mais horrendo patíbulo de criminosos em instrumento redentor e savífico para toda a humanidade. Com isso Jesus traz um sentido novo para tudo aquilo que chamamos de cruz e mostra sua vitória sobre a morte, transformando-a em fonte de vida eterna.

A cruz de Cristo mostra dois extremos.

O primeiro é até aonde pode ir o amor de Deus para conosco. Deus sofre conosco, quando estamos passando pelas dificuldades da vida. Ele sofre silenciosamente, ajudando-nos a carregar nossas dores e enfermidades. “Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por meio dele” (Jo 3,17)

O segundo extremo é até onde pode chegar a maldade humana, capaz de condenar e matar o Filho de Deus. Assim a cruz sob o ponto de vista da fé é fonte de vida, solidariedade de Deus, expressão de amor, fonte de salvação. No evangelho de São João, foi na cruz que Deus glorificou o Filho e glorificou a si mesmo, mostrando seu infinito amor por nós, pois ali, no extremo da dor e da morte, o Filho de braços abertos abraçou toda a dor, todo o pecado, todos os crimes da humanidade e os apagou com o seu sangue derramado. A cruz é o último gesto depois do qual vem a ressurreição e a vida, numa festa que nunca se acaba e que chamamos de céu.

Dom Emanuel Messias de Oliveira – Bispo diocesano de Caratinga